O Significado de 2 Pedro 3.9

Garrett P. Johnson

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3.9).

Comparemos a exegese de Murray desse versículo com a de Francis Turretin, John Owen, John Gill e Gordon Clark:

Murray:

“Deus não deseja que nenhum homem pereça. Seu desejo, antes, é que todos entrem para a vida eterna chegando ao arrependimento. A linguagem nessa parte do versículo é tão absoluta que é altamente anormal encarar Pedro como querendo dizer meramente que Deus não deseja que nenhum crente pereça… A linguagem das cláusulas, então, mais do que naturalmente refere-se à humanidade como um todo… Ela não tem em vista os homens como eleitos ou como réprobos”.[1]

Turretin:

“A vontade de Deus aqui mencionada ‘não deve ser estendida além dos eleitos e crentes, por causa de quem Deus adia a consumação dos tempos, até que o número seja completado’. Isso é evidente a partir ‘do pronome convosco que a precede, designando com suficiente clareza os eleitos e crentes, como em outro lugar mais de uma vez, o que, para explicar, ele adiciona, não querendo que nenhum, isto é, de nós, pereça’”.[2]

Owen:

“‘A vontade de Deus’, dizem alguns, ‘para a salvação de todos, é aqui colocada tantonegativamente, pois Ele não quer que ninguém pereça, como positivamente, pois Ele quer que todos cheguem ao arrependimento…’ Não é necessário gastar muitas palavras para responder essa objeção, arrancada do mal entendimento e da corrupção evidente dos sentido das palavras do apóstolo. Que expressões indefinidas e gerais devem ser interpretadas numa proporção explicável às coisas que delas são afirmadas, é uma regra na abertura da Escritura… O senso comum não nos ensina que nós deve ser repetido em ambas as seguintes cláusulas, para fazê-las completas e plenas, – a saber, ‘não querendo que nenhum de nós pereça, senão que todos denós cheguem ao arrependimento’?… Agora, verdadeiramente, argumentar que porque Deus não quer que nenhum daqueles pereça, mas que todos deles cheguem ao arrependimento, portanto, Ele tem a mesma vontade e intenção para com todos e cada um dos homens no mundo (até mesmo aqueles a quem Ele nunca fez conhecida Sua vontade, nem jamais chamou ao arrependimento, se eles nunca ouviram sobre o Seu caminho de salvação), não fica muito longe da extrema loucura e tolice… Eu não preciso adicionar qualquer coisa concernente às contradições e inextricáveis dificuldades com que a interpretação oposta é acompanhada… O texto é claro que é todos e somente os eleitos a quem Ele não quer que pereça”. [3]

Gill:

“Não é verdade que Deus não deseja que nenhum indivíduo da raça humana não pereça, visto que ele tem feito e apontado o ímpio para o dia do mal,[4] até mesmos os homens ímpios, que foram pré-ordenados para essa condenação,[5] tais como são vasos de ira preparados para a destruição;[6] sim, há alguns a quem Deus envia fortes desilusões, para que eles possam crer na mentira, para que todos possam ser condenados…[7] Nem é a Sua vontade que todos os homens, nesse sentido mais amplo, cheguem ao arrependimento, visto que Ele retém de muitos tanto os meios como a graça do arrependimento…”.[8]

Clark:

“Os Arminianos têm usado o versículo em defesa de sua teoria da expiação universal. Eles crêem que Deus desejava salvar todo ser humano sem exceção e que algo além do Seu controle aconteceu, de forma que frustrou o Seu eterno propósito. A doutrina da redenção universal não somente é refutada pela Escritura em geral, mas a passagem em questão torna tal visão um absurdo…. Pedro está nos dizendo que o retorno de Cristo espera o arrependimento de certas pessoas. Agora, se o retorno de Cristo aguardasse o arrependimento de todo indivíduo sem exceção, Cristo nunca voltaria. Essa não é uma interpretação nova. As Similitudes viii, xi,1, noPastor de Hermas (130-150 d.C.), … diz, ‘Mas o Senhor, sendo longânimo, deseja [thelei] que aqueles que foram chamados [ten klesin ten genomenen] através do seu Filho sejam salvos’… São os chamados ou eleitos a quem Deus deseja salvar”.[9]

A interpretação de Murray de 2 Pedro 3.9 conflita com o restante da Escritura. Ele arrogantemente recusa deixar seu entendimento da passagem ser governado pelo princípio de que todas as partes da Escritura concordam uma com a outra. Ele implicitamente nega, como a Confissão que ele professa crer assevera, que uma das marcas da Escritura é o “consentimento de todas as partes”.

NOTAS:

1 - The Free Offer of the Gospel, Murray and Stonehouse ,no city, no publisher, no date, 26, 27.

2 – Francis Turretin, Institutio Theologiae Elencticae, como citado por David Engelsma, Hypercalvinism, 96.

3 – The Works of John Owen, volume 10. The Banner of Truth Trust, 1967, 348-349.

4 – Provérbios 16.4 – O SENHOR fez todas as coisas para os seus próprios fins e até ao ímpio, para o dia do mal.

5 – Judas 1.4 – Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.

6 – Romanos 9.22 – E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição

7 – 2 Tessalonicenses 2.11 – E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira.

8 – John Gill, The Cause of God and Truth. Baker Book House, 1980, 62-63.

9 – Gordon H. Clark, I & II Peter. Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1980, 71.

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Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

Publicado originalmente em http://monergismo.com/v1/?p=1561

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VEREDITO JUDICIAL: O OSSUÁRIO DE TIAGO (IRMÃO DE JESUS) NÃO É FALSO

Depois de um julgamento de mais de cinco anos com 138 testemunhas, mais de 400 exposições e uma transcrição do julgamento de 12.000 páginas, o Juiz Aharon Farkash do Tribunal Distrital de Jerusalém inocentou os réus de todas as acusações de falsificação. Sua opinião no caso, proferido em 14 de Março, tem 474 páginas.

Os acusados Oded Golan e Robert Deutsch foram inocentados de todas as acusações de falsificação.

Dos cinco réus indiciados originalmente em 2004, apenas dois permaneceram no caso: Oded Golan, um colecionador de antiguidades com uma das coleções mais importantes em Israel (ele foi considerado culpado da acusação menor de negociação de antiguidades sem licença); e Robert Deutsch, o mais proeminente negociante de antiguidades, em Israel, que também ensinou na Universidade de Haifa, serviu como supervisor em escavação arqueológica de Megiddo e é autor de livros acadêmicos, sozinho e com outros estudiosos de renome internacional.

O mais famoso dos objetos acusados de serem falsificações é uma inscrição em um Ossuário ou caixa de ossos em que se lê “Tiago, filho de José, irmão de Jesus.” Ele recebeu sua primeira publicação na revista Biblical Archeological Review (Revista de Arqueologia Bíblica) em 21 de outubro de 2002. No dia seguinte, ele estava na primeira página de quase todos os jornais do mundo, incluindo o New York Times e Washington Post.

Uma segunda inscrição alegadamente forjada está gravada em uma pequena romã de marfim pela qual o Museu de Israel pagou $550.000. Se for autêntica, pode ser a única relíquia sobrevivente do Templo de Salomão. Ela também foi anunciada pela primeira vez em Inglês na Biblical Archeological Review (BAR).

As acusações de fraude incluiram alegações de falsificações de inscrições no Ossuário de Tiago, no Tablete de Joás, e na Romã de Marfim.

Um terceiro objeto alegado de falsificação é o chamado Joás (ou Yehoash, em Hebraico), uma inscrição num texto com 15 linhas descrevendo reparos para o templo. Se autêntica, é a primeira inscrição da realeza israelita.

A acusação também apontou diversas outras inscrições como sendo fraudes, incluindo a ostraca “Três Shekels” e a ostraca “Fundamento da Viúva” (escritos em vasos de cerâmica), vendidos pelo colecionador alemão famoso e rico – Shlomo Moussaieff.

O juiz inocentou os acusados de todas as acusações de falsificação.

Como escreveu Matthew Kalman, o único jornalista que cobriu o julgamento em uma base diária, escreveu no Outono passado: “As implicações criminais, acadêmicas e científicas do veredicto [do juiz] são immensas… A absolvição seria um grave revés para a IAA (Autoridade de Antiguidades de Israel). Também seria agudamente embaraçosa para os especialistas em isótopo da Israel Geological Survey (Pesquisa Geológica de Israel) e para o professor Yuval Goren da Universidade de Tel Aviv.”

Quando a acusação foi arquivada em 2004, a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) alegou que os réus faziam parte de uma grande conspiração de falsificação. Isso é apenas “a ponta do iceberg,” dizia o diretor da IAA – Shuka Dorfman. Entre os suspeitos pela IAA de falsificação constavam mesmo os experts escritores acadêmicos Andre Lemaire da Universidade Sorbonne e Ada Yardeni da Universidade Hebraica. (A testemunha do chefe do governo no caso, o Professor Yuval Goren da Universidade de Tel Aviv, alegou que exerceu muito um “papel crucial” na acusação de conspiração de falsificação. A minha participação, afirmava ele, era “evidente”.)

Talvez o mais prejudicado pela decisão do juiz foi o Vice-diretor da IAA Uzi Dahari, que presidiu o Comitê da IAA o qual concluiu que a inscrição no Ossuário e a inscrição de Joás eram falsificações. Ele guiou forçosamente um grupo de estudiosos para aceitar uma decisão alegadamente unânime do Comitê concluindo que as duas inscrições eram falsas. (Veja abaixo). Em um fórum organizado pela revista BAR, o Dr. Dahari acusou o editor da revista (Hershel Shanks) de ser o “catalisador de uma série de falsificações.” Ele continuou: “Sr. Shanks, você está brincando com fogo quando continuamente publica achados dessa natureza.” Ele se refere a “provas sólidas” que estas duas inscrições foram forjadas.

Vamos considerar a acusação acerca do ossuário com a inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus.” Todos (sem exceção) concordam que o ossuário, propriamente dito, é autêntico e antigo (do primeiro século). A questão é saber se a inscrição nele é forjada, ou mais especificamente, se a frase “irmão de Jesus” foi adicionada recentemente à antiga inscrição “Tiago, filho de José.”

A inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” no Ossuário de Tiago é a peça mais conhecida do caso. Análises Paleográficas e a existência de antiga pátina sugerem que a inscrição é autêntica.

A primeira parada em qualquer investigação sobre esta questão seria na porta dos paleógrafos – estudiosos que podem datar e autenticar as inscrições de certos períodos históricos específicos com base no estilo e na posição das letras. Neste caso, a inscrição foi autenticada por duas das maiores autoridades mundiais em Paleografia da atualidade, tal como referido anteriormente, Andre Lemaire da Sorbonne e Ada Yardeni da Universidade Hebraica de Jerusalém.

O que é ainda mais significativo é que nenhum paleógrafo de qualquer reputação mesmo sugeriu que esta inscrição pode ser uma falsificação. Não há nenhum “outro lado da questão”, falando em termos de Paleografia.

Cientificamente, entretanto, há. O Professor Yuval Goren da Universidade de Tel Aviv encontrou o que ele chamou de “James Bond”, que cobriu a inscrição para ocultar provas de falsificação. O “James Bond” foi, disse ele, uma mistura de terra calcária e água quente que formaram uma falsa pátina. Mas descobriu-se não havia nenhuma maneira de fazer com que a hipotética mistura de Goren se fixasse na superfície do Ossuário sem a adição de um ácido; vestígios disto seriam encontrados – e não estavam lá.  Esta “explicação” assim chamada de James Bond é tão frágil que pode ser removida com um palito; Ela foi mal “colada”. O próprio Goren admitiu que sua “James Bond” poderia ser o resultado de limpeza do ossuário (alguns negociantes habitualmente fazem isto para destacar inscrições).

Mais importante do que isto, é que a pátina antiga original pode ser vista em várias partes da inscrição, incluindo uma das letras da palavra “Jesus”. Antes do julgamento, Goren tinha afirmado que não havia qualquer pátina antiga na inscrição. Quando ele foi apresentado, no contra-interrogatório, a novas fotos tiradas por um dos peritos do requerido, o Professor Goren ficou aturdido e pediu um recesso para permitir-lhe tempo a fim de que examinasse a caixa propriamente dita, em vez das fotos. Ele voltou no dia seguinte e admitiu no tribunal que havia, na verdade, patina antiga original em algumas das partes da inscrição. No entanto, ele tentou explicar isso, sugerindo que o falsificador incorporara arranhões antigos à patina naturalmente formada, apontando isto como indícios das partes forjadas da inscrição. Sobre isto Shanks afirmou: “Se alguém acredita nisto, eu gostaria de dizer que eu sou proprietário de uma ponte pública e eu gostaria de vendê-la muito mais barato.” Na verdade, a presença desta esta patina antiga original em toda a inscrição foi observada muito antes do julgamento, por Orna Cohen, um dos membros do comitê da Autoridade de Antiguidades de Israel, mas ninguém prestou atenção nisto. O IAA sabia aonde queria chegar.

Há outras razões, mais simples, para se crer que a inscrição não é uma falsificação. Oded Golan possuia o Ossuário de Tiago desde a década de 1970. Ele provou isso com fotografias antigas autenticadas por um ex-agente do FBI nas quais é usado um tipo de papel que não é mais usado em uma data posterior. E Golan nunca tentou vender o ossuário ou divulgar a inscrição. Ele afirma veementemente que nem sabia que o Novo Testamento menciona Tiago como o irmão de Jesus, ou como ele disse, “Eu nunca soube que Deus poderia ter um irmão.” Ainda mais compreensivelmente, ele não tinha ideia que o nome Ya’acov (como está escrito no ossuário) e Jacob (para qualquer israelita) foi traduzido como “James” no Novo Testamento em Inglês[1].

A acusação alegou ter encontrado ferramentas de falsificadores no apartamento do Golan. Golan afirma que elas eram usadas na restauração de antiguidades da sua coleção, não para fazer falsificações. Nenhuma dessas ferramentas, no entanto, poderia ser usada para gravar a inscrição no Ossuário de Tiago. Mesmo se ele fosse um falsificador, isso não significa que tudo na sua vasta coleção é uma falsificação.

O fato é que estes comitês presididos pelo diretor-adjunto da IAA Uzi Dahari eram uma armação. O IAA sabia onde ele queria ir — e ele chegou lá. Ele alistou Yuval Goren para liderar um pacote de estudiosos que “foram junto”. O Padre Joseph Fitzmyer, provavelmente dos principais especialistas do mundo em Aramaico Antigo (a língua falada em Israel na época de Jesus e usada na inscrição no Ossuário de Tiago) fornece os detalhes. As comissões incluíam pessoas que anteriormente tinham dito que as inscrições eram provavelmente falsas, mas não incluíam ninguém do outro lado. Assim, por exemplo, Andre Lemaire não foi incluído. Também não foram incluídos os geólogos do Geological Survey of Israel que tinham concluído que as inscrições eram autênticas. Muitos dos membros do Comité do IAA admitiram que sua expertise não é em áreas que lhes permitam opinar sobre autenticidade, mas o IAA tratou seus abstinentes como votos a favor da falsificação. Os que se abstiveram foram tratados como votos de “sim” quando o IAA anunciou a “unanimidade” da sua Comissão.

O IAA tentou “dar a impressão que os comitês eram unânimes, e não eram unânimes de maneira alguma”, diz  Fitzmyer.

Ainda pior, é que os membros do Comitê, por diversas vezes, basearam seu voto “sim” em provas científicas de Yuval Goren, não em suas próprias expertises. Por exemplo, o altamente respeitado arqueólogo Ronny Reich relatou ao Comité que “na minha opinião a inscrição de Jesus é autêntica.” No final, no entanto, ele disse que foi “forçado” a mudar seu pensamento, como resultado do conhecimento geológico de Yuval Goren. Ele não foi o único membro do Comité a fundamentar seu voto com base no conhecimento de outra pessoa, e não no seu próprio.

A decisão do juiz significa que a acusação não conseguiu provar que os artefatos são falsos. A discussão agora pode prosseguir de forma mais acadêmica. E talvez o IAA tenha aprendido algumas lições que podem ser aplicadas no futuro.

A imprensa mundial não deu atenção ao veredito deste caso. Desde o dia 14 de março último, quase nada foi noticiado pelos canais de televisão internacionais ou nacionais, ou nos jornais ou revistas (com exceção da BAR).

Isto é digno de nota, uma vez que as implicações da descoberta deste artefato são altamente impactantes. O Ossuário de Tiago (ou Ossuário de Ya’acov), sendo autêntico como tudo indica, é uma prova que de Jesus[2] tinha um irmão – de carne e sangue. Derruba uma interpretação Católico-Romana de que a referência bíblica neotestamentária a Tiago como sendo irmão de Jesus significa “irmão de fé”. Mais ainda, é uma evidência histórica material da existência de Jesus. Os que pensavam e afirmavam que Jesus nunca existiu – que não foi uma pessoa real – não possuem, a partir de agora, nenhuma razão para pensar assim.

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As informações sobre o julgamento de falsicação do Ossuário de Tiago e dos outros artefatos acusados tiveram como fonte a matéria da revista Biblical Archeological Review, disponível em http://www.biblicalarchaeology.org/daily/news/verdict-not-guilty/. Acessado aos 06/04/2012.


[1] Ou como “Tiago”, no Novo Testamento em Português.

[2] Alguns levantam a possibilidade de que “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” se refira a outro Jesus, e não ao Jesus do Novo Testamento, porém, estatísticas demonstraram que a probabilidade de os três nomes aparecerem juntos numa urna ossuária do primeiro século e não se referirem a Jesus Cristo, ao seu pai adotivo José e ao seu irmão Tiago, é praticamente nula.

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A Doutrina do Pecado e Culpa Original

Herman Hoeksema

Essa doutrina da universalidade do pecado por meio de Adão levanta outras questões muito sérias. Pode parecer como se os descendentes do homem Adão fossem as vítimas inocentes de sua transgressão. Ele pecou, e todos eles sofrem e vêm ao mundo com uma natureza corrompida e sem os preciosos dons de conhecimento, justiça e santidade com os quais a natureza humana foi originalmente dotada. Não é isso uma injustiça? Devem os filhos sofrer pelos pecados de seus pais? Não se deve ter piedade dos homens por seu estado deplorável, ao invés de serem condenados por causa de sua impiedade?

Ainda mais, como pode o homem ser considerado responsável por seus pecados e transgressões atuais, se ele nasce com uma natureza que é incapaz de guardar a lei de Deus e que é inclinada a toda impiedade? Eu nasço com uma natureza corrompida, morto em delitos e pecados, e isso certamente não posso reverter. Eu nunca tive uma oportunidade de fazer o bem. Por conseguinte, concluo que não sou responsável pelos meus crimes; não posso ser considerado responsável pela forma como nasci. Eu sou uma vítima de circunstâncias pelas quais mereço receber piedade, ao invés de ser um objeto de ira e condenação. Deus não pode demandar de mim o que não posso e nunca serei capaz de realizar.

Em resposta, devemos lembrar que Deus criou a raça humana não somente como um organismo, com Adão como a raiz e o primeiro pai, mas também como uma corporação legal com Adão como o cabeça representativo. Mesmo de um ponto de vista legal, a raça humana não é um mero agregado de indivíduos no qual cada um permanece de pé e cai como seu próprio mestre, sem ser de forma alguma responsável pelo todo. Pelo contrário, existe responsabilidade comunal, e existe culpa e sofrimento comunal na vida humana. Isso é evidente na vida toda: o individualismo é condenado em todo lugar.

Isso é claramente ilustrado na vida de uma nação em relação ao seu governo. No instante concreto em que os Estados Unidos vai à guerra contra uma nação estrangeira, certamente não é todo cidadão americano que declara guerra contra essa nação. Sem dúvida, por esse ato de declaração oficial de guerra, o governo é responsável diante de Deus. Ao governo é confiada a espada. Ele é o único poder ordenado por Deus que tem a autoridade de manusear a espada, bem como de declarar e travar uma guerra. O soldado que é chamado pelo governo e vai para a batalha não comete assassinato e não é culpado do sangue derramado se mata o inimigo no campo de batalha. Ele meramente manuseia a espada do governo e faz assim em nome do governo. Contudo, isso significa que não existe responsabilidade e sofrimento comunal? Que cidadão em são juízo diria que quando o governo declara guerra, o próprio governo teria lutado melhor suas próprias batalhas? Quando o governo declara guerra, todos os seus cidadãos estão num estado de guerra, e terão que sofrer todas as conseqüências implicadas. Mesmo diante de Deus, uma nação não é um agregado de indivíduos, mas um corpo legal; o governo representa todos os seus cidadãos. Se o governo, para suprir as despesas de uma guerra, acumula um débito de muitos bilhões de dólares, todos os seus cidadãos são responsáveis pelo pagamento do débito; mesmo seus filhos e os filhos dos seus filhos terão que suportar o peso dessa responsabilidade.

Assim acontece em todo departamento da vida. É verdade que existe responsabilidade individual e pecado e culpa individual. É também verdade que nesse sentido os filhos não podem ser considerados responsáveis pelos pecados dos pais. É também verdade, contudo, que existe uma responsabilidade e culpa comunal que percorre as gerações. Deus visita “a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que [o] aborrecem” (Ex. 20:5). Deus criou toda a raça humana em Adão como uma corporação legal representada por nosso primeiro pai. Portanto, ninguém pode dizer que não é responsável pela transgressão de Adão, pois todos pecaram nele e seu pecado é imputado a todos eles.

Essa é a solução apresentada pela Escritura aos problemas do pecado e da morte e de sua universalidade e relações entre si. Todos os homens nascem no pecado porque toda a natureza humana foi corrompida pelo pecado do homem Adão. Através de um homem o pecado entrou no mundo e a morte pelo pecado (Rm. 5:12); assim, todos os homens nascem mortos no sentido pleno. Eles nascem com o poder da morte física tragando-os para a sepultura e com a corrupção da morte espiritual em seus corações, de forma que estão mortos em delitos e pecados quando entram no mundo (Ef. 2:1). A morte é punição: é a execução da sentença justa do juiz supremo do céu e da terra sobre todos.

Se a morte é punição, e se essa punição é infligida sobre toda a raça humana, sobre cada indivíduo antes dele ser capaz de cometer qualquer pecado real, então a razão deve ser que aos olhos de Deus toda a raça humana é culpada com uma culpa comunal, no homem Adão. É assim que as Escrituras nos instruí em Romanos 5:12-14, onde o texto está tratando com o problema da morte universal:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.

É verdade que o texto também fala da universalidade do pecado por meio do pecado de um homem. Mas isso é assim somente em conexão com o problema sério da universalidade da morte: a morte passou a todos.

A morte reina suprema. Ela reinava antes que houvesse qualquer lei. Ela reinou de Adão a Moisés, e reinou mesmo sobre aqueles que “não pecaram à semelhança da transgressão de Adão” (v. 14). Eles nunca tiveram um mandamento especial para guardar ou violar. Nunca tiveram o poder, como Adão, de determinar se guardariam ou não a lei de Deus. Todavia, a morte reinou sobre eles. Reinou mesmo sobre os pequeninos no berço que não podiam discernir entre a sua mão direita e esquerda.

Como esse reinado universal da morte é explicado? É explicado nas palavras “porque todos pecaram” (v. 12). Quando, onde e como todos pecaram: Todos os homens pecaram no princípio, no primeiro paraíso, e por meio do primeiro Adão, que era o representante da raça diante de Deus: “por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (v. 18).

É claro a partir da Escritura que a universalidade do pecado e morte na raça humana deve ser explicada, primeiro, a partir do fato que a raça foi criada no homem Adão como um organismo. Ele carregava nossa natureza, e essa natureza foi corrompida; de uma semente corrompida brota uma descendência corrompida. Segundo, a Escritura ensina que até onde diz respeito a culpa do pecado, sua universalidade é devido ao fato que toda a raça foi criada em Adão como seu cabeça e, portanto, que toda a raça humana é responsável pelo pecado que Adão cometeu no primeiro paraíso.

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FonteReformed Dogmatics, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, vol. 1, pp. 392-395.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/pecado-original/doutrina-do-pecado-e-culpa-original-rev-herman-hoeksema.html#ixzz1nhZ4HFUe

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A Segunda Vinda de Cristo

Marcio Rocha

 Sobre as NúvensJesus Cristo ensinou claramente sobre um futuro quando a presente ordem mundial terá um fim, e um estado completamente novo de existência será inaugurado (Lucas 4.21; Mateus 12.17-21; Marcos 8,38). Desde o início do seu ministério, Jesus ensinou que “o Reino de Deus está próximo” (Marcos 1.15), e isso sugere uma segunda vinda do Messias, porque o Reino de Deus ainda não está instalado hoje em sua plenitude.

No entanto, o ensino mais incisivo de Jesus sobre sua segunda vinda e a vida futura é registrado em Mateus 24. Pode ser inferido dali, que Cristo deve ter ensinado mais aos seus discípulos, em outras ocasiões, sobre sua segunda vinda, como é dito no Dicionário Evangélico Baker de Teologia Bíblica[1]: “Que ele falou mais sobre sua segunda vinda do que está registrado, parece claro a partir da pergunta que discípulos fizeram-lhe sobre o fim desta vida: ‘Qual vai ser o sinal de sua vinda e do fim deste século?’” (Mat. 24:3).” Estas palavras demonstram que Jesus tinha anteriormente declarado aos seus discípulos que ele iria voltar. Todos os três evangelhos sinópticos trazem ensino significativo sobre a segunda vinda de Jesus.

O Novo Testamento diz que a segunda vinda de Cristo será repentina e inesperada (Mat. 24,36; Mat. 24.44; Mt. 25.13; Luc. 12.40), no entanto, quando isso acontecer, vai ser como um relâmpago, visível a todos (Mat. 24,27; Luc. 17:24).

Jesus Cristo apela à vigilância, em Mateus 24.42-51, porque a segunda vinda do Filho do Homem tem uma importância decisiva. Naquele dia quando Jesus vier será tarde demais para fazer preparativos; portanto, ele exorta aos seus seguidores para que sejam vigilantes, prontos para o seu retorno, seja quando for.

Uma parte importante da doutrina sobre a segunda vinda de Jesus Cristo é que ele estará “vindo nas nuvens com grande poder e glória” (Mat. 26.64; Mc. 13.26; Luc. 21.27; Atos 1.11). Ele não virá como o homem humilde e pobre, que foi em sua primeira vinda. O Dicionário Evangélico Baker de Teologia Bíblica corretamente diz:

“Algo de sua eminência é discernido  a partir do fato de que ele vai ‘reunir seus eleitos dos quatro ventos, das extremidades da terra às extremidades dos céus’ (v. 27); Ele vai ser visto ‘sentado à direita do Todo Poderoso, e virá sobre as nuvens do céu’” (14:62).

Estas palavras apontam para um evento marcante! Jesus virá fisicamente uma segunda vez para cumprir todas as suas promessas e para estabelecer o Reino de Deus na terra, em sua plenitude. Ele virá como o Rei e o Mestre deste universo e retornará para completar – para finalizar – sua obra de salvação (Hebreus 9.28).

Venho em breve! Retenha o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa. Farei do vencedor uma coluna no santuário do meu Deus, e dali ele jamais sairá. Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus da parte de Deus; e também escreverei nele o meu novo nome. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apoc. 3.11-13. NVI)

Aquele que dá testemunho destas coisas diz: “Sim, venho em breve!” Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus seja com todos. Amém. (Apoc. 22.20.NVI).

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[1] O Dicionário Evangélico Baker de Teologia Bíblica pode ser acessado em http://www.studylight.org/dic/bed/.

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Prova Bíblica da Doutrina da Trindade

Louis Berkhof

A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação. É verdade que a razão humana pode sugerir algumas idéias para consubstanciar a doutrina, e que os homens, fundados em bases puramente filosóficas, por vezes abandonaram a idéia de uma unidade nua e crua em Deus, e apresentaram a idéia do movimento vivo e de auto-distinção. Também é verdade que a experiência cristã parece exigir algo parecido com esta construção da doutrina de Deus. Ao mesmo tempo, é uma doutrina que não teríamos conhecido, nem teríamos sido capazes de sustentar com algum grau de confiança, somente com base na experiência, e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus. Portanto, é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas.

a . Provas do Velho Testamento. Alguns dos primeiros pais da igreja, assim chamados, e mesmo alguns teólogos mais recentes, desconsiderando o caráter progressivo da revelação de Deus, opinaram que a doutrina da Trindade foi revelada completamente no Velho Testamento. Por outro lado, o socinianos e os arminianos eram de opinião que não há nada desta doutrina ali. Tanto aqueles como estes estavam enganados. O Velho Testamento não contém plena revelação da existência trinitária de Deus, mas contém várias indicações dela. É exatamente isto que se poderia esperar. A Bíblia nunca trata da doutrina da Trindade como uma verdade abstrata, mas revela a subsistência trinitária, em suas várias relações, como uma realidade viva, em certa medida em conexão com as obras da criação e da providência, mas particularmente em relação à obra de redenção. Sua revelação mais fundamental é revelação dada com fatos, antes que com palavras. E esta revelação vai tendo maior clareza, na medida em que a obra redentora de Deus é revelada mais claramente, como na encarnação do Filho e no derramamento do Espírito.E quanto mais a gloriosa realidade da Trindade é exposta nos fatos da história, mais claras vão sendo as afirmações da doutrina. Deve-se a mais completa revelação da Trindade no Novo Testamento ao fato de que o Verbo se fez carne, e que o Espírito Santo fez da igreja Sua habitação.

Têm-se visto, por vezes, provas da Trindade na distinção entre Jeová e Elohim, e também no Plural Elohim, mas a primeira não tem nenhum fundamento, e a última é, para dizer o mínimo, duvidosa, embora ainda defendida por Rottenberg, em sua obra sobre De Triniteit in Israels Godsbegrip. É muito mais plausível entender que as passagens em que Deus fala de Si mesmo no plural, Gn 1.26; 11.7, contêm uma indicação de distinções pessoais em Deus, conquanto não surgiram uma triplicidade, mas apenas uma pluralidade de pessoas. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que, por um lado, é identificado com Jeová e, por outro, distingue-se dele. Ver Gn 16.7-13; 18.1.21; 19.1-28; Ml 3.1. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas, Sl 33.4, 6; Pv 8.12-31. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa, Sl 33.6; 45.6, 7 (com. Hb 1.8,9), e noutros quem fala é Deus, que menciona o Messias e o Espírito, ou quem fala é o Messias, que menciona Deus e o Espírito, Is 48.16; 61.1; 63. 9,10. Assim, o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento.

b. Provas do Novo Testamento. O Novo Testamento traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade. Se no Velho Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador do Seu povo, Jó 19.25; Sl 19.14; 78.35; 106.21; Is 41.14; 43.3, 11, 14; 47.4; 49.7, 26; 60.16; Jr 14.3; 50.14; Os 13.3, no Novo Testamento é o Filho de Deus quem se distingue nessa capacidade, Mt 1.21; Lc 1.76-79; 2.17; Jo 4,42; At 5.3; Gl 3.13; 4.5; Fl 3.30; Tt 2.13, 14. E se no Velho Testamento é Jeová que habita em Israel e nos corações dos que o temem, Sl 74.2; 135.21; Is 8.18; 57.15; Ez 43.7-9; Jl 3.17, 21; Zc 2.10, 11, no Novo testamento é o Espírito Santo que habita na igreja, At 2.4; Rm 8.9, 11; 1 Co 3.16; Gl 4.6; Ef 2.22; Tg 4.5 O Novo Testamento oferece clara revelação de Deus enviando Seu filho ao mundo, Jo 3.16; Gl 4.4; Hb 1.6; 1 Jo 4.9; e do pai e Filho enviando o Espírito, Jo 14.26; 15.26; 16.7; Gl 4.6. Vemos o pai dirigindo-se ao Filho, Mc 1.11; Lc 3.22, o Filho comunicando-se com o Pai, Mt 11.25, 26; 26.39; Jo 11.41; 12.27, 28, e o Espírito Santo orando a Deus nos corações dos crentes, Rm 8.26. Assim, as pessoas da Trindade, separadas, são expostas com clareza às nossas mentes. No batismo do Filho, o pai fala, ouvindo-se do céu a Sua voz, e o Espírito Santo desce na forma de pomba, Mt 3.16, 17. Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas: “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, Mt 28.19. Também são mencionadas juntamente em 1 Co 12. 4-6; 2 Co 13.13; e 1 Pe 1.2. A única passagem que fala de tri-unidade é 1 Jo 5.7, mas sua originalidade é duvidosa, razão pela qual foi eliminada das mais recentes edições críticas do Novo Testamento.

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Fonte: BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Editora Cultura Cristã.

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O Estado Após a Morte — O que acontece com a alma do cristão depois de sua morte física?

Marcio S. da Rocha

“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” (Fil. 1.21-23)

A experiência da morte é uma realidade para todos. Os cristãos, mesmo depois de terem sido justificados pela graça de Deus ao receberem o Senhor Jesus pela fé, e assim terem garantida a sua salvação, não são poupados da morte física, conseqüência do pecado original. Os filhos adotivos de Deus (os crentes) certamente passam pela morte, muito embora os que estiverem vivos quando o Senhor Jesus voltar  fisicamente a Terra não morrerão, mas serão transformados (1 Cor. 15.51-52 ). Apenas dois homens na história humana foram poupados da morte, tendo sido transformados em corpos glorificados e elevados (arrebatados) ao céu; e isto aconteceu antes mesmo da primeira vinda de Cristo. Esses foram Enoque (Gen. 5.24) e o profeta Elias (2 Rs. 2.11). Podemos entendê-los como exceções à regra, casos especiais.

Nós, os demais, assim como os filhos de Deus que já se foram desde o começo da história, inclusive os primeiros apóstolos e os mártires, iremos com certeza ressuscitar, “em carne e osso” no dia do retorno do nosso Senhor. Mas, o que acontece com nossa alma, depois da morte, no período entre a morte até a ressurreição?

Quando o cristão morre, sua alma fica num estado de sonolência ou vai direto para Deus?

A morte é a interrupção temporária da vida no corpo e a separação da alma do corpo. Quando o cristão morre, embora o corpo permaneça na terra e seja sepultado, no momento da morte, a alma (ou espírito) vai imediatamente para a presença de Deus, cheia de alegria. Quando o apóstolo Paulo pensava em sua morte, ele afirmou: “Preferindo deixar o corpo, e habitar com o Senhor” (2 Co 5.8). Deixar o corpo é estar com o Senhor, no lar. Ele também diz que seu desejo é “partir e estar com Cristo” (Fp. 1.23). Jesus também disse ao ladrão que estava morrendo ao lado dele na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso[1]” (Lc 23.46).

A Bíblia não ensina a doutrina do “sono da alma”. O fato de que a alma dos cristãos vai imediatamente para a presença de Deus também significa que a doutrina do sono da alma está errada. Essa doutrina ensina que quando os cristãos morrem, eles entram em um estado de existência inconsciente e que voltarão à consciência somente quando Cristo voltar e ressuscitá-los para a vida eterna. Essa doutrina tem sido ensinada eventualmente por alguns na história da igreja, inclusive alguns anabatistas da época da Reforma e alguns seguidores de Edward Irving na Inglaterra no século XIX. Na verdade, um dos primeiros escritos de João Calvino foi um folheto contra tal doutrina, a qual nunca teve ampla aceitação na igreja. O certo é que quando Cristo ou Paulo dizia que um morto “dormia” estava usando uma metáfora, referindo-se ao sono do corpo, que irá ressuscitar e, portanto, quando morto, fica como se estivesse “dormindo”.

A Bíblia (os livros verdadeiramente inspirados – os canônicos) também não ensina a existência de um purgatório. O fato de que a alma do cristão vai imediatamente para a presença de Deus nos leva indubitavelmente a concluir que não existe algo como o purgatório. Na doutrina católica romana, o purgatório é o lugar onde a alma do cristão é purificada do pecado até que esteja pronta para ser aceita no céu. De acordo com esse pensamento, os sofrimentos do purgatório são dados a Deus como substitutos do castigo pelos pecados que os cristãos mereciam ter recebido, e não receberam. Paulo, o apóstolo, mesmo reconhecendo-se “o maior dos pecadores” (1 Tim. 1.15) sabia e escreveu, por inspiração divina, que ao partir, estaria com Cristo (Fil. 1.23); não passaria por nenhum “purgatório”. Este ensino do purgatório entra em choque com a certeza de Paulo e encontra fundamento apenas nos livros apócrifos, incorporados ao Velho Testamento da Igreja Católica Romana em 1546, e já estudamos e sabemos porque eles não fazem parte da revelação de Deus (ver a série “A Revelação de Deus” neste site).

Se não existe o “sono da alma”, para onde vai imediatamente a alma de um incrédulo, depois que morre?

A Bíblia nunca nos incentiva a pensar que haverá segunda chance de aceitar a Cristo depois da morte. Na verdade, o quadro é exatamente o oposto. A parábola do rico e de Lázaro nos ensina que o rico foi imediatamente para o Hades (Sheol em Hebraico), para o lugar de tormentos, e não dá esperanças de que seja possível passar de lá para o paraíso depois da morte, apesar de ter o rico clamado no Hades: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”. Abraão, entretanto, respondeu: “Há um grande abismo entre nós e vós, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem.” (Lc. 16.26b NVI). Lamentavelmente, a alma dos descrentes vai imediatamente para o lugar de tormentos e lá aguardará até o juízo final, quando será lançada no fogo eterno (inferno). Não há segunda chance. A chance de receber o Senhor Jesus é aqui na terra.

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Questões para reflexão e aprofundamento

  1. Uma vez que sabemos que a alma não fica em uma espécie de “sono”, mas que iremos (os que já recebemos o Senhor Jesus) imediatamente para junto dele no céu, qual deve ser a nossa atitude para com a nossa própria morte?
  2. Se o cristão sabe que a alma do crente vai imediatamente para junto do Senhor depois de sua morte, por que se entristece quando um crente morre?
  3. De acordo com o ensinamento da parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16), bem como de Hebreus 9.27 e  Filip. 1.22-23, existe uma segunda chance para uma pessoa ser salva depois da morte?
  4. Se uma pessoa pudesse pagar pelos seus próprios pecados num “purgatório” ou mesmo por sofrer nesta vida, a morte de Jesus Cristo teria sido ineficaz, pois ele morreu para salvar a todo aquele que nele crê (João 3.16; 5.24). Você concorda com isto? Comente.

[1] O paraíso ou “Seio de Abraão” (Lucas 16:19; 23.43) era um lugar intermediário de felicidade, em um dos lados do Hades (mundo dos mortos), onde as almas dos salvos antes de Cristo aguardavam conscientes (Lucas 16:26) até o dia da ressurreição de Cristo, quando eles então ressuscitaram (Mat. 27.52-53) e subiram ao céu com ele. O Hades tinha dois lados separados entre si por um abismo intransponível. O “Seio de Abraão” era separado do lugar de tormentos. Depois de Cristo, os crentes, quando morrem, vão direto para o céu “Estar com Cristo” (Filip. 1.23; 2 Cor. 5.8). Por outro lado, o lugar de tormentos do Hades ainda existe, e é aonde os não-salvos vão depois que morrem, para aguardar o Grande Trono Branco (juízo final), que acontecerá depois do Milênio, quando, então, irão de lá para o inferno (lago de fogo), juntamente com Satanás e seus anjos (Apoc. 20.5; 20;11-15). Quando Jesus morreu, não foi ao inferno. Ele foi ao Hades (regiões inferiores), esteve no lado do paraíso e lá proclamou o evangelho e trouxe os salvos à ressurreição, e os levou ao céu (Ef. 4.9-10).

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